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Como descobrir seu estilo: comece pelo que você já sente

25 de outubro de 2026 · Renatta Bórgez

Você salva uma foto de uma mulher bem vestida. Depois outra, e mais outra. Em algum momento a pasta tem dezenas de imagens, e nenhuma delas parece com você.

Aí vem a frase que eu escuto tanto: "eu não tenho estilo".

Quero começar dizendo que tem, sim. Ele só está debaixo de muita coisa que você foi colocando por cima ao longo dos anos. Por isso, descobrir o seu estilo é menos procurar uma coisa nova e mais reconhecer uma coisa que já está aí.

Estilo não é uma tendência que você escolhe

Quando a gente pesquisa "como descobrir meu estilo", a maioria das respostas fala de peças: o blazer certo, a calça da estação, as cores que estão em alta. Isso ajuda a montar uma roupa. Não ajuda a responder quem você é.

Estilo, do jeito que eu trabalho, é a ponte entre o que você sente por dentro e o que você mostra por fora. Quando essa ponte está inteira, você se veste e se reconhece no espelho. Quando ela quebra, você até se arruma, mas parece que está usando a roupa de outra pessoa.

E é por isso que copiar não funciona. A mulher da foto não está bonita só por causa da roupa. Ela está bonita porque aquela roupa conversa com quem ela é. Quando você veste a mesma peça sem essa conversa, sobra o desconforto.

Às vezes, sem perceber, a gente monta uma imagem inteira para caber no que acha que deveria ser. Eu escrevi sobre isso no texto sobre a Imagem-Máscara. Se essa ideia te pegou, vale ler depois.

Seu estilo deixa pistas, e elas já estão com você

Antes de olhar para fora, olhe para o que você já viveu. O seu estilo costuma aparecer em três lugares.

Nas roupas que você não consegue largar. Aquela peça velha, gasta, que você continua usando mesmo tendo outras "melhores". Ela não ficou porque é prática. Ficou porque, quando você veste, você se sente você.

Nas fotos em que você gosta de si. Não as fotos em que você está "bem". As fotos em que você se olha e pensa "essa sou eu". Repare no que você vestia, no cabelo, no jeito de estar no corpo.

No que você admira e nunca usa. Muitas mulheres me contam que amam cor, mas só usam preto. Que adoram vestido, mas vivem de calça. Esse desejo guardado não é bobagem. Muitas vezes, é o seu estilo pedindo licença.

Essas pistas raramente apontam para uma peça só. Elas apontam para sensações: leveza, força, conforto, delicadeza, presença. É por aí que o estilo começa.

Um exercício para fazer hoje: o inventário do que você sente

Separe uns quinze minutos, um papel e o seu guarda-roupa. Não precisa arrumar nada. É só olhar.

  1. Escolha três peças que você ama vestir. Pegue na mão. Para cada uma, escreva uma palavra sobre como você se sente com ela. Não vale "bonita". Procure algo mais específico: segura, livre, leve, firme, feminina, à vontade.
  2. Escolha três peças que você quase nunca usa. Faça a mesma coisa, mas agora escreva por que elas ficam paradas. "Me sinto exposta", "não parece eu", "comprei para uma ocasião que não veio", "ficou apertada".
  3. Olhe para as palavras da primeira lista. Elas tendem a se repetir ou a conversar entre si. Esse é o rascunho do seu estilo, escrito por você mesma.
  4. Olhe para as palavras da segunda lista. Elas mostram o que te afasta de você. Às vezes é o corpo de hoje que mudou. Às vezes é uma voz antiga dizendo que aquilo não é para você.

Guarde esse papel. Ele vale mais do que qualquer pasta de fotos salvas, porque nasceu de você.

Se quiser ir além, faça uma pergunta simples na frente do espelho antes de sair: "essa roupa me representa ou me esconde?". Não responda com a cabeça. Responda com o corpo. Repare se os ombros relaxam ou se encolhem.

Quase ninguém cabe em um estilo só

Existem formas de organizar o estilo em grupos. No meu trabalho eu uso sete: Romântico, Dramático, Natural, Criativo, Elegante, Sexy e Tradicional. Eles ajudam a dar nome ao que você sente, e nome ajuda muito quando a gente está perdida.

Mas eles não são caixas. A maioria das mulheres tem um estilo que aparece mais e outros que entram junto. Você pode ser natural no dia a dia e ter um lado romântico que pede espaço no fim de semana. Pode ser elegante no trabalho e criativa nos acessórios.

E o estilo também muda com a vida. O que te representava aos vinte pode não te representar agora, e isso não é perder o estilo. É crescer.

Se você quer um ponto de partida, o quiz de estilo é gratuito e funciona por imagens: você escolhe as peças com que mais se identifica, sem precisar saber nenhum termo de moda. O resultado não é um veredito. É um espelho para você conferir o que já sente.

O que atrapalha mais do que a falta de roupa

Eu vejo isso muito: a mulher acha que o problema é o guarda-roupa, quando o que pesa é outra coisa. O medo de chamar atenção. A ideia de que se arrumar é futilidade. A comparação com quem parece ter nascido sabendo se vestir.

Nada disso se resolve comprando peças novas. Se resolve devagar, voltando a se ouvir. Uma escolha por dia. Uma peça que você estava guardando "para um dia" e que pode ser usada numa terça-feira qualquer.

Seja gentil com você nesse processo. Você não está atrasada e não errou em nada. Passou um tempo cuidando de tudo e de todos, e a sua imagem ficou para depois. Faz sentido que agora pareça estranho se olhar com atenção.

Descobrir o seu estilo não é virar outra mulher. É deixar a que já existe aparecer um pouco mais.

Qual daquelas três peças que você ama você vai vestir amanhã?